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Este campeonato foi aquele em que o dedo do treinador mais se sentiu.

No início do ano, Jesus foi confrontado com uma debandada geral.

Em poucos meses, partiram Garay, Siqueira, Rodrigo, Cardozo, Markovic, Oblack, André Gomes, e pouco tempo depois, Enzo Pérez.

A sombra da falência do BES pairava sobre a Luz, e muitos diziam que o Benfica estava a ficar de novo para tráz. 

 

Entretanto, a Norte, o FC Porto reforçava-se como há muito não o fazia.

Quando o campeonato arrancou, não havia uma alma que não dissesse que os azuis tinham a melhor equipa.

Incluindo eu, que me costumo guiar pela regra da maior despesa salarial.

Quem gasta mais em salários, costuma ser campeão.

Foi isso que aconteceu nas últimas nove temporadas, e previ que o FC Porto era o principal favorito. 

 

Porém, este ano não foi isso que aconteceu.

Mesmo com um plantel com menos talento, mesmo com o grande investimento dos dragões, Jesus conseguiu equilibrar a equipa e levá-la ao bicampeonato.

É um feito enorme, que mostra que Jesus não é apenas bom treinador quando tem a melhor equipa, mas também consegue grandes obras quando une os jogadores num único propósito.

E, este ano, o objectivo era o bicampeonato, não era a Europa.

Por isso, quando saímos da Champions, pressenti que havia um caminho definido, e acreditei que o Benfica se ia concentrar e chegar à meta à frente.

 

É verdade que, em certos momentos, foi preciso ser pragmático, e não encantador.

Mas, os campeões são os que são melhores que os outros, e a maior parte das vezes não são equipas-maravilha.

Este Benfica foi melhor que os rivais, e por isso foi campeão.

Ainda ontem se viu a fragilidade de Lopetegui e dos seus jogadores.

Quem não consegue ganhar na Madeira ao Nacional, e no Restelo ao Belenenses, não se pode queixar.

 

Jesus teve a experiência e a calma para tudo aguentar: a perda de jogadores, o desencanto europeu, a eliminação da Taça de Portugal, a pressão sobre os árbitros, os insultos e as intrigas tolas de Lopetegui.

A tudo reagiu com serenidade, e nunca se desconcentrou.

Este ano, provou que está um grande treinador, e sobretudo, um grande homem.

Parabéns para ele.

 

Uma palavra final para alguns jogadores que se destacaram.

Júlio César, a calma imperial na baliza, acabou com as angústias lá atrás.

Talisca, pela primeira parte do campeonato, onde resolveu vários jogos.

Gaitan, pela magia que sempre dá ao jogo.

 

Mas, há dois que foram os meus heróis este ano.

Jonas, um espectáculo de técnica e inteligência, um goleador de grande qualidade que muito brilhou.

E, por fim, o patinho feio, um central de quem eu muito desconfiava e que me conquistou: Jardel.

Pela tranqulidade, pelo empenhamento, pela força mental e pela segurança.

 

Há poucos centrais que podem dizer que fizeram um campeonato inteiro e apenas levaram 3 amarelos (!), e ainda marcaram vários golos absolutamente essenciais, como o de Alvalade.

Para mim, Jardel foi o melhor central do campeonato, e o jogador que mais se valorizou.

Parabéns para ele, e para todos os outros também.   

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publicado às 12:55

Mais vale um clube português ir à final da Liga Europa, do que ser humilhado na Champions.

É essa a ideia que tenho defendido nos últimos anos, e o desastre do FC Porto em Munique só me veio dar mais razão. 

Foi um verdadeiro massacre, e mostrou a todo o país a abissal diferença que existe entre um grande clube europeu, o Bayern, e um grande clube português, o FC Porto.

 

Nos últimos cinco anos, o Bayern esteve por 4 vezes nas meias-finais, e lá estará mais uma vez este ano.

Ora o FC Porto, andou muitos anos arredado destas andanças, só este ano foi aos quartos-de-final, e viu-se o genocídio que foi.

Aos 21 minutos, os azuis e brancos estavam eliminados, e aos 45 humilhados por 5-0.

Obviamente a vitória por 3-1 no Dragão iludiu muitos.

Com o Bayern, 3-1 não é nada.

Só este ano, em casa já espetaram 7-0 no Shaktar, e 6-1 no FC Porto...

 

Mas, a Champions é desenhada a pensar em clubes com o Bayern e os grandes espanhóis e ingleses.

Na antiga Taça dos Campeões Europeus, chegavam às finais com relativa frequência clubes holandeses, portugueses, jugoslavos, escoceses ou romenos.

Até gregos, belgas e suecos foram pelo menos a uma final.

Com a Champions, népia!

Desde que está em vigor o actual formato, só chegaram à final espanhóis, ingleses, alemães e italianos.

A única excepção foram o FC Porto e o Mónaco, em 2004, um ano atípico.

 

A Champions é pois para tubarões.

E mesmo para esses, é difícil.

Veja-se que, nas últimas cinco épocas, o Manchester United só esteve uma vez numa semi-final, e mesmo o Chelsea só esteve em duas meias-finais.

Os grandes da Champions, nos últimos cinco anos, são três clubes, com 4 presenças nas meias-finais: Bayern, Real Madrid e Barcelona.

E este ano dois já lá estão outra vez, veremos hoje se o Real também os acompanha.

 

É por isso que, por mais espectaculares que os jogos sejam, eu não consigo gostar da Champions. 

No passado, a Taça dos Campeões Europeus era muito mais emocionante, para muitos povos europeus.

A Champions é um longo bocejo.

Quando, de cinco em cinco anos, um clube português chega aos quartos-de-final, é melhor a gente esconder-se, pois pode haver uma cabazada das antigas, como vimos ontem.

 

Antes ir à Liga Europa.

Ao menos aí podemos chegar às finais, como fizeram FC Porto, Braga e Benfica (por duas vezes).

A Liga Europa é que é a nossa praia, a Champions é doutra galáxia.

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publicado às 11:17

Ontem, foi anunciado que os direitos televisivos para a Premier League, a partir da época de 2016 e durante três anos, foram vendidos pela impressionante quantia de 6,9 mil milhões de euros.

Isto significa que, a partir de 2016, os clubes ingleses irão distribuir entre si, em cada ano, cerca de 2,3 mil milhões de euros, bastante mais do que fizeram em 2014, no final da época passada, onde os valores chegaram aos 1,36 mil milhões de euros. 

 

E estamos a falar apenas dos direitos para o Reino Unido, porque a este valor há ainda que somar os valores dos direitos vendidos para fora do Reino Unido, que também são divididos em partes iguais pelos vinte clubes da Premier League. 

Veja-se por exemplo a situação no final da época de 2013-2014, a última para a qual já existem valores finais.

Os clubes ingleses conseguiram em direitos televisivos totais (em todo o mundo), e em receitas comerciais associadas aos jogos televisionados, a impressionante soma total de 2 mil milhões de euros!

 

Os critérios de divisão de receitas da Premier League são claros: 50% do total dos direitos no Reino Unido é para dividir pelos 20 clubes, em partes iguais. 25% desse total é para dividir conforme a classificação no campeonato, e os restantes 25% são para dividir conforme o número de jogos televisionados de cada clube.

Além disso, as receitas internacionais e comerciais são também para dividir em partes iguais pelos vinte clubes.

 

Para a época que terminou em Junho, 2013-2014, o clube que mais recebeu foi o Liverpool, cerca de 133,5 milhões de euros, ao câmbio de hoje.  

O segundo que mais recebeu foi o campeão City, cerca de 132,2 milhões de euros.

Mas, mais impressionante ainda, o último classificado, que foi o Cardiff, recebeu cerca de 85 milhões de euros, ao câmbio de hoje. 

 

Compare-se por exemplo com a liga portuguesa. 

O Benfica, já com a BTV, realizou uma receita líquida de 17,5 milhões de euros. O FC Porto conseguiu 15,9 milhões e o Sporting cerca de 15 milhões.

Ou seja, o campeão português recebe menos 67,5 milhões de euros que o último da Premier League!

E este diferencial vai aumentar ainda mais no futuro, a partir de 2016.

 

Será que estes diferenciais não apresentam um caso de concorrência desleal nas provas da UEFA?

Como podem as equipas portuguesas bater-se de igual para igual com as inglesas?

Mesmo adicionando a estes valores os prémios da UEFA pelas participações europeis (que também são agravados pela força relativa dos países), como podem os portugueses combater contra clubes que recebem cinco ou seis vezes mais dinheiro dos direitos televisivos?

 

Mesmo com uma boa carreira na UEFA, um clube português não conseguirá muito mais que 40 milhões de euros, somando os direitos nacionais com os prémios da UEFA.

Já um City, ou um Chelsea, poderão chegar a partir de 2016 a valores próximos dos 170 milhões por ano.

É um desequilíbrio muito grande, praticamente inultrapassável.

Será a UEFA sensível a estes argumentos?

 

 

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publicado às 11:16

No próximo domingo em Alvalade vão estar frente a frente o segundo plantel mais valioso de Portugal, o do Benfica, e o terceiro mais valioso, o do Sporting.

Segundo o site transfermarkt.pt, que avalia o valor de mercado dos jogadores e das equipas, o plantel total do Benfica vale 151,8 milhões de euros, enquanto o do Sporting vale 133,9 milhões de euros.

 

Porém, se analisarmos apenas os onze prováveis das duas equipas, verificamos o contrário: o do Sporting vale mais que o do Benfica.

Aqui deixo os valores de mercado do Sporting, segundo o site:

Rui Patrício 20 m€, Cedric 7,5 m€, Paulo Oliveira 3,7 m€, Tobias (o site ainda não o avaliou), Jefferson 6 m€, William 20 m€, Adrien 8,5 m€, João Mário 3 m€, Nani 12 m€, Montero 9 m€ e Carrillo 4,5 m€.

O valor de mercado do onze provável do Sporting é pois de 95,2 milhões de euros.

 

Quanto ao Benfica, e admitindo como provável que Júlio César e Gáitan não vão jogar, estes são os valores de mercado dos onze jogadores que devem entrar em campo.

Artur 1,5 m€, Maxi Pereira 9 m€, Luisão 5 m€, Jardel 3 m€, Eliseu 2 m€, Samaris 7 m€, Talisca 4 m€, Sálvio 17 m€, Ola John 8 m€, Jonas 8 m€ e Lima 11 m€. 

O valor de mercado do onze provável do Benfica é pois de 75,5 milhões de euros, claramente abaixo do Sporting.  

Aliás, mesmo que Gaitan jogasse em vez de Ola John (25 m€ em vez dos 8m€ do holandês), o valor de mercado do onze benfiquista subia para 92,5 milhões de euros, ficando muito perto do Sporting, mas mesmo assim ainda abaixo. 

 

Quer isto dizer alguma coisa de importante? 

O valor de mercado das equipas não ganha jogos, e a qualidade desportiva não é a mesma coisa que a qualidade económica. De qualquer forma, o valor de mercado é um indicador do potencial de valorização futura dos jogadores. Neste caso, o Sporting tem jogadores com maiores possibilidades de valorização, como Rui Patrício ou William, que estão na casa dos 20 milhões de euros.

Aliás, dos quatro jogadores mais valiosos que vão pisar a relva em Alvalade, só um é do Benfica, Salvio, os outros três são sportunguistas: Rui Patrício, William e Nani.

 

É claro que podemos sempre dizer que estas avaliações do transfermrkt não são correctas, e que certos jogadores valem mais e outros menos do que o site indica, mas com base nos números actuais do site, é essa a realidade.

É certo que o Benfica lidera o campeonato, mas a verdade é que o jogo será em Alvalade, e o Sporting está em muito boa forma e tem tido uma excelente sequência de jogos para a Liga.

Julgo que por todas estas razões é possível dizer que o Sporting é o favorito para domingo.  

 

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publicado às 10:45

Nos últimos anos, o Benfica transformou-se num pipeline gerador de milhões de euros.

É provavelmente o clube europeu que mais receitas gerou com a venda de jogadores nos últimos cinco anos.

Começou com Di Maria, Ramires, David Luiz, Fábio Coentrão, e depois tem continuado todos os anos, com Javi Garcia, Witsel, Matic, Markovic, Rodrigo, Oblack, Cardozo, Enzo Pérez, Kardec, e muitos outros de menor relevância.

 

Mas, para além de vender muito bem os jogadores que brilham na primeira equipa, o Benfica transformou também a sua formação e a sua equipa B em centros geradores de receitas importantes.

Nos últimos anos, já houve vários jogadores juniores que foram vendidos, e pelo menos dois jogadores que estavam em transição, entre a equipa B e a A, como André Gomes e Bernardo Silva.

Ou seja, o Benfica tem agora 3 centros geradores de receitas na venda de jogadores: juniores, equipa B e equipa principal.

 

Há muitos que discordam desta estratégia, pois vivem ainda na utopia de querer uma equipa principal onde haja muitos jogadores vindos da formação.

Ora, isso não faz muito sentido. A grande maioria dos jogadores da formação, em qualquer clube, seja ele o Barcelona, o Ajax ou o Benfica, não chegará nunca à equipa principal.

Provavelmente, podem ser bons jogadores nos juniores, mas não tem capacidades para mais.

Vendê-los é boa ideia, se existir uma boa proposta.

E também é boa ideia vender jogadores da equipa B, se os valores propostos forem elevados, seja para o clube, seja para o jogador.

 

Foi o caso de André Gomes, e é o caso de Bernardo Silva. Ambos são bons jogadores, mas dificilmente seriam titulares permanentes da equipa principal.

Ambos foram vendidos por cerca de 15 milhões de euros, um valor muito elevado para quem poucos jogos fez na equipa principal.

Além disso, foram para o Valência e para o Mónaco ganhar muito mais do que ganhavam no Benfica.

Portanto, a venda foi boa para o clube, e o contrato foi bom para eles. 

 

Faz sentido vender jogadores por estes valores, para clubes estrangeiros.

A equipa principal não se ressente, pois eles não eram titulares, e gera-se uma óptima receita para o clube.

E é bem mais inteligente do que vender um centro-campista fundamental da equipa, a um clube rival, por apenas 11 milhões de euros, e ainda por cima chamando-lhe maçã podre, como se passou com João Moutinho. 

Pelo menos no caso do Benfica, as vendas não trazem proveitos futuros aos rivais. 

Por isso, há que dar os parabéns a Luís Filipe Vieira por conseguir faturar tanto.

Só em Janeiro o Benfica já ultrapassou os 40 milhões de euros, com as vendas de Enzo, Bernardo e Jara.

E há também que dar os parabéns a Jorge Jesus, que apesar de ter visto sair tantos jogadores num ano, consegue manter a equipa a jogar bem, na liderança do campeonato. 

 

 

Este é o único modelo de negócio que é lucrativo para os clubes portugueses.

Foi descoberto e praticado muitos anos pelo FC Porto, é no presente mais eficaz no Benfica, e será certamente o futuro do Sporting, quando se conseguir recuperar mais do que já conseguiu. 

 

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publicado às 10:48

Nos campeonatos nacionais, normalmente é campeão o clube que tem uma despesa salarial mais elevada.

Quem paga mais, ganha mais, é essa a regra económica.

Os salários são um bom indicador da qualidade dos jogadores e técnicos, e quem paga mais é quem tem os melhores jogadores.

Ou seja, a melhor equipa, com os melhores jogadores e mais bem pagos, é normalmente campeã.

 

No ano passado, esta regra verificou-se nos principais campeonatos europeus.

Em Portugal, o campeão foi o Benfica, que tinha a maior despesa salarial.

Em Itália foi a Juventus, na Alemanha o Bayern, na Holanda o Ajax, em Inglaterra o City e em França o PSG.

Em todos estes casos, os campeões eram os que pagavam os salários mais elevados.

Só o Atlético de Madrid conseguiu furar essa regra, sendo campeão apesar de ter uma despesa salarial mais baixa que Real e Barcelona. 

 

Pegando nessa regra, qual o clube que este ano tem mais hipóteses de ser campeão nacional por cá?

A resposta é: o FC Porto. 

Tal como há precisamente um ano aqui escrevi que o Benfica era o mais forte candidato, agora digo que o FC Porto só não será campeão se Lopetegui fizer muitos erros.

E digo-o com números, que retirei do relatório de contas dos clubes.

 

No primeiro trimestre, o FCP gastou cerca de 15,5 milhões de euros com gastos com o pessoal. 

Se admitirmos que 90% deste valor vai para salários de jogadores e treinadores, temos uma despesa trimestral salarial de quase 14 milhões de euros.

O gasto anual em salários dos azuis poderá ser cerca de 55,8 milhões de euros.

 

Quanto ao Benfica, no seu relatório está dito que os gastos com pessoal são de 14,4 milhões de euros no primeiro trimestre.

Se admitirmos que há uma parcela deste valor que é em despesas com outros funcionários e administração, o valor pago em salários, os tais 90%, serão cerca de 13 milhões de euros por trimestre.

Multiplicando por quatro trimestres, no Benfica prevê-se uma despesa salarial anual de 52 milhões de euros.

 

Quanto ao Sporting, os seus gastos salariais no primeiro trimestre são de 5,6 milhões de euros.

Admitindo o mesmo critério, cerca de 90% deste valor é salários de jogadores e treinadores, chegamos a 5 milhões de euros.

O valor anual da despesa salarial do Sporting será assim de 20 milhões de euros.

Mesmo acrescentando os 5 milhões que Nani recebe, mas são pagos pelo United, a despesa salarial do Sporting nunca ultrapassaria os 25 milhões de euros, claramente abaixo dos seus rivais.

 

Nos últimos nove campeonatos nacionais, a regra da despesa salarial sempre se verificou.

Foi assim em 2010 e 2014, o Benfica foi campeão e tinha a maior despesa salarial.

E foi assim nos outros sete anos, em que o FC Porto foi campeão, e tinha também a maior despesa salarial.

Portanto, é muito provável que essa regra se volte a verificar este ano.

Gastando o FC Porto em salários cerca de 55 milhões, o Benfica cerca de 52 milhões e o Sporting cerca de 20 milhões mais o Nani, é quase certo que o FC Porto será campeão nacional.

Eu sei que isto nem sempre se verifica, mas a probabilidade é muito alta.   

 

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publicado às 12:33

Segundo notícias conhecidas ontem, e hoje reproduzidas em muitos jornais, a RTP adquiriu os direitos da Liga dos Campeões para os próximos três anos, entre 2015 e 2018, pela quantia de 18 milhões de euros!

 

Depois de se ter retirado, e bem, dessas guerras em 2012, seguindo as instruções de um governo liberal que não queria nem podia suportar despesas com jogos milionários, a RTP volta agora ao jogo, embora o Governo seja ainda o mesmo.

 

A primeira pergunta que se deve colocar é: deve uma empresa que dá prejuízo ao Estado, e portanto aos contribuintes, concorrer a um concurso da Liga dos Campeões, pagando milhões de euros?

A resposta é óbvia: não deve. Uma empresa pública fortemente deficitária deve gastar o seu pouco dinheiro noutras prioridades.

 

A segunda pergunta que se deve colocar é: deve essa empresa fazê-lo numa época de austeridade, em que o Governo corta pensões e subsídios a muitos, e aumenta os impostos de todos os portugueses?

A resposta é óbvia: não deve. Que moral tem o Governo para pedir sacrifícios aos portugueses, quando depois a RTP gasta milhões com jogos de futebol?

 

A terceira pergunta que se deve colocar é: deve a RTP entrar na disputa dos jogos da Liga dos Campeões quando há canais privados (TVI e SportTV) dispostos a isso?

A resposta é: não, não deve. Não havendo uma falha de mercado, não há razão nenhuma para a RTP concorrer contra os canais privados.

 

A quarta pergunta que se deve colocar é: deve a RTP pagar milhões a uma entidade milionária como a UEFA e os seus intermediários, que são quem vende os direitos da Liga dos Campeões?

A resposta óbvia é: não, não deve. Se tem 18 milhões de euros para gastar, a RTP deveria usá-los a financiar programas nacionais, e não a encher os cofres de instituições estrangeiras que já são podres de ricas.

 

Mas, infelizmente, temos um Governo que só é liberal e poupado quando lhe dá jeito.

Promete não interferir em negócios privados, mas interfere; e promete poupar dinheiro ao contribuinte, e esbanja-o em jogos da liga milionária.

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publicado às 10:40

Nas últimas nove temporadas, o vencedor do título nacional foi sempre o clube que tinha a despesa salarial mais elevada.

A relação entre o título de campeão nacional e despesa salarial elevada é muito forte, em Portugal e lá fora.

Na última temporada, por exemplo, os campeões de Inglaterra (City), Itália (Juventus), Alemanha (Bayern), França (PSG), Holanda (Ajax) e Portugal (Benfica), foram os clubes que tinham a despesa salarial mais elevada no seu país.

Só em Espanha a regra não se verificou, com o Atlético de Madrid a ultrapassar Barcelona e Real Madrid, que gastaram mais em salários e em prémios.

 

Porque é que esta relação é tão forte?

Simples: os clubes que têm maior despesa salarial são os que têm jogadores mais bem pagos (salários e prémios), e isso significa que têm melhores jogadores que os rivais, pois os salários são o melhor indicador da qualidade dos jogadores.

Conclusão 1: se a despesa salarial é mais elevada é porque o clube tem melhores jogadores.

Conclusão 2: o clube que tem melhores jogadores normalmente é campeão.

 

Para quem tem dúvidas desta relação tão forte e poderosa, passo a apresentar os números para as últimas nove épocas em Portugal.

Quem foi campeão o ano passado? O Benfica, que tinha uma despesa salarial de cerca de 52 milhões de euros, contra os 44 m€ do FC Porto e os 22,5 m€ do Sporting*.

E em 2012/2013, quem foi o campeão? O FC Porto, que tinha uma despesa salarial de 45 m€, contra os 43 m€ do Benfica e os 37 m€ do Sporting (ainda de Godinho Lopes).

Em 2011/2012, o mesmo se verificou. FC Porto campeão, despesa salarial de 41,8 m€, contra os 41m€ do Benfica, e os 38m€ do Sporting. Foi à risca, mas deu para ser vencedor.

E em 2010/2011, a história foi idêntica: FC Porto vence campeonato, despesa salarial de 42 m€, contra os 38 m€ do Benfica e os 26,6 m€ do Sporting.

 

E quem foi campeão em 200/2010, ano da chegada de Jorge Jesus ao Benfica? Pois foi o Benfica, que tinha também a maior despesa salarial, com 34,3 m€, à frente do FC Porto, com 32m€, e do Sporting, com 20,8 m€.

E, se olharmos para os quatro anos anteriores, entre 2005/2006 e 2008/2009, o FC Porto foi sempre campeão, e teve sempre a despesa salarial mais elevada que os seus rivais.

Gastou respetivamente 31,4 m€, 30,6 m€, 34,8 m€ e 39,7 m€, enquanto o Benfica ficava sempre abaixo (27,7 m€, 23,6 m€, 24,4 m€, 33,4 m€), e o Sporting ainda mais abaixo (15,6 m€, 19,4 m€, 17,8 m€ e 21,3 m€).

 

É esta regra infalível? Não, claro que não é, todos os anos há excepções em alguns países.

Em Portugal, por exemplo, essa regra não se verificou em 2001/2002, com o Sporting campeão, e em 2004/2005, com o Benfica a vencer.

Mas, normalmente, em 90 por cento dos casos, a regra verifica-se, e o campeão é o clube que gasta mais em despesa salarial. 

E quem será então o campeão de Portugal esta temporada?

Em início de Dezembro, conto apresentar a minha previsão, já não falta muito. 

 

 

* Os números são retirados dos Relatórios de Contas das SAD´s dos clubes, sendo considerada despesa salarial com jogadores e treinadores cerca de 90% do total de gastos com o pessoal de cada SAD.

 

 

 

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publicado às 11:01

Quando o BES faliu, logo nasceram umas narrativas tenebrosas.

Muita gente disse que os clubes de futebol portugueses iam afundar com o BES.

Muita gente escreveu que a venda de muitos jogadores do Benfica se devia à crise do BES.

Aparentemente, o futebol nacional vendia pendurado num banco que falira, e ia falir também.

 

Vários meses depois, nada de tão trágico aconteceu.

Ontem, a SAD do Benfica informou que o Novo Banco ficaria com os 8% da SAD do Benfica que pertenciam ao BES, normalizando assim a relação entre o banco e o clube.

A narrativa tenebrosa que se ouviu em Julho e Agosto era bastante exagerada.

Afinal, os clubes de futebol, como muitas outras empresas nacionais, foram afectados pela falência do BES, mas não foram arrastados por ela para o desastre.

Como é normal, depois da turbulência e da incerteza, as coisas voltam a compôr-se, e os clubes vão continuar a trabalhar com a banca, como acontece em toda a Europa.

 

O Benfica vendeu jogadores por causa da crise do BES? Nada mais falso.

Rodrigo, André Gomes e Matic foram vendidos em Janeiro, muito antes da crise do BES.

Cardozo e Garay eram para ter saído um ano antes, ou em Janeiro, e teriam sido vendidos com falência ou sem falência do BES.

Dos jogadores vendidos em Julho, só Oblack e Markovic o foram depois da crise do BES, e era sabido que Markovic só iria ficar um ano em Portugal, e que Oblack se recusou a voltar a Lisboa, e foi vendido contra a vontade do Benfica, pela cláusula de rescisão.

 

Portanto, a fuga de jogadores não teve nada a ver com a falência do BES, a não ser uma coincidência temporal, que permitiu aos preguiçosos mentais encontrarem uma ligação tenebrosa, mas errada, entre os dois acontecimentos.

Seis meses depois da falência do BES, Benfica, FC Porto e Sporting continuam a pagar as suas contas, a jogar como sempre, e nada de catastrófico aconteceu, para grande desgosto de muita gente... 

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publicado às 10:22

Com o primeiro quarto da época já feito, Lopetegui está a obter melhor resultados gerais do que Jesus ou Marco Silva.

Se tomarmos como indicador a percentagem de vitórias, é ele quem tem a melhor.

Para obter este indicador, e por convenção internacional, decidiu-se atribuir 2 pontos por vitória e 1 ponto por empate, pois assim é possível fazer comparações histórias com o passado, quando as vitórias valiam apenas 2 pontos.

Assim, a percentagem de vitórias obtém-se multiplicando o número de vitórias por 2, o número de empates por 1, e dividindo a soma dessas duas parcelas pelo total máximo de pontos que se poderia obter nos jogos já realizados.

 

Vejamos o que se passa com o FC Porto. 

Até agora, realizou 14 jogos, 9 para o campeonato, 4 na Champions e 1 na Taça de Portugal.

Obteve no total 9 vitórias, 4 empates e apenas 1 derrota, para a Taça.

A sua percentagem de vitórias é pois ( (2x9) +4) a dividir por (2x14).

O FC Porto tem pois 78,5% de percentagem vitórias.

Está em segundo no campeonato, já qualificado para a fase seguinte da Champions, mas foi eliminado da Taça, sendo o único dos três clubes que já saiu de uma das competições. 

 

Quanto ao Benfica, realizou 15 jogos, pois jogou a Supertaça, onde obteve um empate no tempo regulamentar.

Conseguiu até agora 9 vitórias, 3 empates e foi derrotado por 3 vezes, 2 na Champions e 1 no campeonato.

A sua percentagem de vitórias é pois ( (2x9) + 3) a dividir por (2x15).

O Benfica tem pois 70% de percentagem de vitórias. 

Está em primeiro no campeonato, venceu a Supertaça nos penalties, passou a eliminatória da Taça, mas na Champions está em quarto no seu grupo, sem ter garantido ainda a continuidade nas provas europeias.

 

O Sporting realizou os mesmos 14 jogos que o FC Porto, e conseguiu até agora 6 vitórias, 5 empates, tendo sofrido 3 derrotas, 1 no campeonato e 2 na Champions.

A sua percentagem de vitórias é pois ( (2x6) + 5) a dividir por (2x14).

O Sporting tem pois 60,7% de percentagem de vitórias.

Está em 6º no campeonato, ainda não garantiu que continua na Europa, mas eliminou o FC Porto no Dragão para a Taça de Portugal.

 

 

Comparando com a época passada, podemos dizer que na mesma altura, Paulo Fonseca estava um pouco pior que Lopetegui (tinha 76,6%), Jesus estava também um pouco pior que este ano (tinha 67,8%), e Marco Silva está pior que Leonardo Jardim (este tinha 80%), mas atenção porque Jardim não jogava os jogos europeus, o que dificulta a comparação. 

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publicado às 10:08


Sobre o autor

Domingos Amaral é professor de Economia dos Desportos (Sports Economics) na Universidade Católica Portuguesa. É também jornalista e escritor e tem o blog O Diário de Domingos Amaral.


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